Canal de vendas 1 de abril de 2026 · 7 min de leitura

15-20% do seu orçamento de marketing está sendo jogado fora

Campanhas com CPA 7x maior que a média existem no seu painel agora — e ninguém está olhando.

Existe uma estatística da McKinsey que deveria tirar o sono de qualquer gestor de marketing: 15-20% do orçamento de marketing pode ser realocado sem perda de resultado. Em muitos casos, a realocação gera ganho.

Traduzindo: a cada R$ 10 mil investidos, entre R$ 1.500 e R$ 2.000 estão sendo queimados em campanhas, canais ou criativos que não contribuem para o resultado. E o pior? Esses gastos estão escondidos dentro de médias gerais que parecem aceitáveis.

O caso da campanha que custava 7x mais

Analisamos as campanhas de Google Ads de uma empresa de serviços recorrentes. No nível geral, o CPA (custo por aquisição) parecia razoável. Mas quando abrimos campanha por campanha, a diferença era brutal:

Dados reais por campanha:

  • Campanha "Marca Institucional": CPA de R$ 10,06 por conversão
  • Campanha "Competitors": CPA de R$ 69,61 por conversão

A campanha de concorrentes custava 6,9x mais por conversão que a campanha de marca.

Ambas apareciam no mesmo relatório mensal, dentro da mesma média. Ninguém havia olhado a diferença entre elas. O gestor via "CPA geral do Google Ads" e achava que estava tudo bem.

O que R$ 735 por mês compram quando realocados

Quando calculamos o impacto de redirecionar o orçamento das campanhas de alto CPA para as de baixo CPA, o resultado foi expressivo:

Simulação: redirecionar R$ 735/mês da campanha "Competitors" (CPA R$ 69,61) para a campanha "Marca Institucional" (CPA R$ 10,06) geraria +73 conversões adicionais por mês — sem gastar um real a mais.

Setenta e três conversões. Sem aumento de orçamento. Apenas movendo dinheiro de onde não funciona para onde funciona.

Por que campanhas ineficientes sobrevivem

1. O relatório mostra médias, não distribuições

Quando o painel mostra "CPA médio: R$ 35", parece ok. Mas essa média pode estar escondendo uma campanha a R$ 10 e outra a R$ 70. A média é a pior métrica para decisões de alocação — ela esconde exatamente o que você precisa ver.

2. A agência tem incentivo para manter tudo rodando

Se sua agência cobra percentual sobre o investimento em mídia (modelo comum no Brasil), ela ganha mais quando você gasta mais. Pausar uma campanha ineficiente reduz o fee da agência. Não é má-fé necessariamente — é incentivo desalinhado.

3. "Mas essa campanha gera awareness"

A justificativa clássica para campanhas com CPA alto é que elas "geram awareness" ou "fortalecem a marca". Pode ser verdade. Mas se o CPA é 7x maior e não há como medir o awareness, você está pagando caro por uma esperança.

O framework de 15-20% da McKinsey

A pesquisa da McKinsey sobre MROI (Marketing Return on Investment) identificou que a maioria das empresas tem entre 15% e 20% do orçamento de marketing alocado em atividades de baixo retorno. A causa principal não é falta de dados — é falta de granularidade na análise.

Quando a empresa olha o marketing como um bloco único ("gastamos X e tivemos Y de resultado"), a ineficiência se esconde. Quando abre por canal, por campanha, por criativo, por região — os desperdícios aparecem imediatamente.

Regra prática: se você nunca abriu seu investimento em marketing campanha por campanha e comparou o CPA de cada uma, você quase certamente tem pelo menos 15% de orçamento que pode ser realocado com ganho.

Como encontrar seus 15-20%

O processo é simples, mas exige disciplina:

  1. Exporte os dados de todas as campanhas dos últimos 6 meses — gasto, cliques, conversões de cada uma.
  2. Calcule o CPA individual de cada campanha (gasto ÷ conversões).
  3. Ordene do menor para o maior CPA. As campanhas no topo são suas melhores. As do final são candidatas a corte ou reestruturação.
  4. Calcule o gap: se você pegasse o orçamento das 3 piores campanhas e colocasse nas 3 melhores, quantas conversões a mais teria?
  5. Aja: pause ou reduza as campanhas de CPA alto. Aumente as de CPA baixo. Meça por 30 dias.

O que impede a maioria das PMEs

Não é falta de capacidade técnica. É um problema de rotina: ninguém senta todo mês para fazer essa análise. O painel do Google Ads mostra números bonitos de cliques e impressões, a agência manda um relatório com gráficos coloridos, e a vida segue.

Enquanto isso, 15-20% do orçamento está sendo queimado silenciosamente. Em uma empresa que gasta R$ 10 mil por mês em marketing, são R$ 1.500 a R$ 2.000 por mês. R$ 18 mil a R$ 24 mil por ano.

O dinheiro está lá. Só precisa olhar no lugar certo.

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